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Vem, Exú: Uma jornada delicada sobre perder aquilo que foi conquistado.

  • Foto do escritor: Fliperama de Rua
    Fliperama de Rua
  • há 8 minutos
  • 2 min de leitura

‘Quando a noite era nova

igual ao silêncio antes do trovão

Exu tentava dormir’ 


A direção de arte do jogo é excepcional | Imagem: Vem, Exu!
A direção de arte do jogo é excepcional | Imagem: Vem, Exu!

A jornada cujo você aceita participar, assim que clica no play, é íntima. Não há diálogos, e sinto que eles tampouco são necessários para que se entenda os pensamentos, as ações e como a história irá se desenrolar. É uma jornada curta, a demo durou 15 minutos. Mas certamente foi o necessário para me sentir imerso na história e ansioso pelo lançamento oficial. 


O game é inspirado no conto ‘Exu ficou com medo’, de Rafael Semino. E ele ganha um desenvolvimento mais ‘complexo’, quando Exu descobre a arraia e vai em busca de criá-la. Eu sinto que esse jogo vai até mesmo além da sensibilidade dos temas abordados, ele vem com o apego emocional de valorizar os traços artísticos e que resistiram ao tempo e opressões ao longo dos anos, como a xilogravura. O estúdio pega a literatura, transforma nessa narrativa interativa e faz com que, qualquer um que jogue, viaje e compreenda tudo sem precisar de muito. 


Vem, Exu! usa de simbologias africanas o tempo todo | Imagem: Vem, Exu!
Vem, Exu! usa de simbologias africanas o tempo todo | Imagem: Vem, Exu!

Você tenta fazer Exu dormir, mesmo aos roncos do irmão; você conecta estrelas com ele ainda na tentativa de o fazer dormir ( as constelações formam desenhos, inclusive); você vai até a floresta em busca de todos os elementos para que sua arraia seja criada e ele cria.


A todo momento você está com ele, você sente com ele, e você nem precisa falar ou ler legendas. Tudo está subentendido. E é isso que torna a gameplay tão rica e que se diferencia de muitos jogos por aí; o jogo só reafirma uma ideia que gosto de cultivar que, quando dois seres humanos não compartilham do mesmo idioma, basta olhar nos olhos que você se comunicará. Basta abandonar estigmas, orgulho e medo. 


Vem, Exú! Tem minha torcida para que todo o solo nacional tenha a oportunidade de o conhecer e o jogar, é de uma experiência que TODOS deveriam ter. Esse jogo merece, igualmente, reconhecimento internacional. É lindo. 


Há toda uma linguagem onírica no jogo | Imagem: Vem, Exu!
Há toda uma linguagem onírica no jogo | Imagem: Vem, Exu!

Esse texto foi escrito por Luiza Breitenbach e editado por Iara Vilela


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