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Tom’s Last Adventure e a repetição

Foto do escritor: Luã Trivellato
Luã Trivellato
há 6 dias
3 min de leitura

Como alguém que ama gatos desde criança, a temática proposta por Tom’s Last Adventure (ou, se traduzirmos, seria algo como “Última aventura de Tom”) me deixou com uma sensação de inquietude logo a partir da primeira área. O suave toque, belo e melancólico do piano guia a trilha sonora. A paleta escura dá ao cenário a sensação de noite, com todas as figuras representadas no jogo feitas predominantemente como silhuetas, salientando ainda mais o vermelho das áreas perigosas e os olhos das figuras no cenário que seguem o gatinho com uma precisão assustadora. Completando o cenário, temos uma estrela que acompanha Tom por toda aventura, o que me lembra aquelas estrelas que algumas crianças ouvem dos adultos que "se tornam seus entes queridos quando morrem". Pois é, digamos que minha guarda estava alta antes de começar o jogo. Mas, surpreendentemente, essa guarda se abaixou bem rápido e se transformou naquele looping conhecido desses tipos de jogos: frustração, esforço e recompensa. 


"O preço de um sofá arranhado é tão pequeno..." Eu entendi, jogo, eu amo meus gatos. E, no canto superior esquerdo, já tinha 450 mortes | Imagem: Tom's Last Adventure
"O preço de um sofá arranhado é tão pequeno..." Eu entendi, jogo, eu amo meus gatos. E, no canto superior esquerdo, já tinha 450 mortes | Imagem: Tom's Last Adventure

Em termos de jogabilidade ele é um jogo de plataforma muito difícil, daqueles que exige do jogador bastante precisão para passar pelos desafios propostos. Precisão essa que é possível graças ao ótimo trabalho de quem programou a responsividade da movimentação de Tom ao apertar os botões.  O gatinho conta com seu pulo duplo e um dash para lidar com os desafios propostos pelo cenário, o que, novamente, só é possível devido à responsividade imediata dos controles quanto à altura do pulo, à mudança de direção no meio do pulo e por aí vai. Eu joguei num joystick e a experiência foi bem fluida.


A dificuldade é incremental, de pouco em pouco ela aparece conforme fui me familiarizando com os movimentos possíveis. Além dos movimentos base, Tom conta também com habilidades especiais de uso único que são liberadas ao pegar estrelas flutuantes de cores diversas, cada uma representando uma habilidade diferente. A minha favorita que usarei como exemplo é a estrela verde, que permite que Tom jogue um projétil em arco na direção que ele está olhando que, quando se choca com um objeto ou quando o jogador quiser, faz com que Tom se teleporte para o lugar que o projétil ocupou. Todas as mecânicas são introduzidas inicialmente de uma forma fácil de ser compreendida, mas progressivamente vai ficando mais difícil na sua execução. No fim do jogo temos verdadeiros quebra-cabeças com combinações de todos os movimentos e habilidades aprendidas anteriormente exigindo alta precisão de execução. No canto superior esquerdo da tela há um contador de mortes que é bom o jogador se acostumar com aquele número subindo, pois elas com certeza vão se acumular enquanto ele tenta entender o que o jogo espera dele. No entanto, apesar da dificuldade exigir essa abordagem de tentativa e erro, o jogo raramente me deixou muito frustrado, pois ele recomeça imediatamente do último ponto seguro sempre que eu falhava. Não existe tempo de carregamento, eu só ia de novo e de novo e de novo… Até aprender o timing, os comandos corretos, a posição correta, e conseguir avançar.


A primeira área do jogo. "O quão forte pode ser o amor por um amigo de quatro patas?" Já traz a ambientação daquele jeito... | Imagem: Tom's Last Adventure
A primeira área do jogo. "O quão forte pode ser o amor por um amigo de quatro patas?" Já traz a ambientação daquele jeito... | Imagem: Tom's Last Adventure

Uma das coisas que senti falta foi da tradução para português. O jogo não tem diálogo, mas tem algumas frases que, de novo, para quem tem ou teve gato pode ser que te deixe sentimental. Justamente por isso que senti mais falta ainda do português, sinto que seria importante para passar essa ambientação muito bem retratada pelo cenário.


Tom’s Last Adventure me convidou (cautelosamente) com a atmosfera, mas me prendeu com o desafio. A aventura é curta, mas foram 2 horas de jogo muito bem balanceadas em que eu sempre senti que estava fazendo um progresso, tanto que no fim meu contador de mortes passou das 700. Eu recomecei o jogo após chegar ao fim e fiz as primeiras áreas de novo, constatando aquilo que esperava: foi muito rápido e não morri nenhuma vez. Eu cresci e melhorei nos desafios do jogo, e essa é sempre uma sensação gostosa. E com o sistema de conquistas da Steam o jogo te encoraja: você consegue terminar o jogo morrendo menos de 100 vezes? E 50? Ou a mais difícil de todas, menos de 9 vezes! O que devo dizer, que para nós aqui no Brasil definitivamente o número deveria ser 7, mas tudo bem, aceito a colher de chá de duas mortes a mais!


Tom’s Last Adventure é uma ótima pedida se você gosta de clássicos como Super Meat Boy e Celeste, se colocando, ao meu ver, como um jogo que mecanicamente não deve nada para nenhum deles. 


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Esse texto foi escrito por Luã Trivellato

e editado por Iara Vilela


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