Genshin Impact: como Dottore conseguiu se tornar um vilão tão impactante
- Mariana Vilela

- 26 de jun.
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Quando pensamos em vilões de videogames, grande parte das vezes pensamos em personagens que, mesmo com todos os poréns, temos uma forma de carinho ou respeito por sua história ou trajetória. Quando lembramos de vilões como o Drácula de Castlevania, Vergil de Devil May Cry ou até a Equipe Rocket de Pokemón, pensamos em personagens que podemos desenvolver certa simpatia por sua trajetória, grande parte das vezes por seus passados trágicos ou porque simplesmente gostamos dos personagens por soarem carismáticos, como o trio Jessie, James e Meowth. Em outro aspecto, também existem vilões que são tão maus por natureza e que não há o que justifique suas ações, mas mesmo assim gostamos deles justamente por isso. Personagens como Kefka Palazzo de Final Fantasy VI ou Ganondorf de The Legend of Zelda são alguns desses exemplos: personagens que, por natureza, ou buscam poder sem limites somente por vontade, ou porque se divertem ao assistir o sofrimento das pessoas.
Nesse contexto, quero explicar como, na minha visão, Dottore se encaixa no espectro de vilões que são ruins por natureza e como isso o consagra como o melhor antagonista de todos os conteúdos de Genshin Impact até o momento. E como, nesta última atualização do jogo (6.6), com o suposto final de seu arco, o personagem teve um final digno e avassalador.
Zandik, mais conhecido como Dottore, é um personagem egoísta e extremamente orgulhoso, ao ponto de não se importar com opiniões além de suas próprias, o fazendo criar vários fragmentos de si mesmo. Uma pessoa que não se importa com limites, ultrapassando grande parte das vezes o bom senso e praticando atos desumanos em prol de suas pesquisas, referindo aos humanos como “Nada mais do que máquinas com certo nível de complexidade”.
Nascido em uma família de comerciantes, ainda jovem se mostrava um estudante genial entrando na Academia de Sumeru, mas diferente de seus superiores e colegas, ele os via como limitados por dependerem tanto do Sistema Akasha (sistema que conecta todas as informações da cidade por meio de um aparelho parecido com um fone de ouvido unilateral) e pela relutância de estudar a região desértica de Sumeru.

Durante todo seu período na academia, Zandik foi várias vezes alertado sobre seus atos irem contra os princípios estabelecidos para os estudos, até chegar ao limite. O seu envolvimento para a pesquisa de uma cura para Eleazar (uma doença fatal que supostamente não tinha tratamento). Por mais que sua pesquisa tenha realmente curado uma pessoa, seus métodos foram desumanos ao ponto de ser acusado de matar uma das cobaias e o paciente que foi curado supostamente enlouqueceu e fugiu do hospital.
Depois desse incidente, Zandik foi oficialmente expulso da Academia e teve que se refugiar no deserto, onde conheceu Pierro e foi recrutado para os Fatui, oficialmente recebendo o título de II Dottore.
Durante todo o tempo de vida de Dottore, ele esteve envolvido em grandes feitos e na construção do que temos hoje como referência dos Fatui. Entre suas realizações, foi responsável por cuidados de Feofan (mais conhecido como Pantalone) e Kabukimono (primeiro nome de Scaramouche), e, mesmo com a responsabilidade do cuidado e refletindo sesu atos anteriores, submeteu ambos a experimentos desumanos e macabros, que fizeram parte de seu método de pesquisa durante muito tempo.

Scaramouche também foi um experimento muito importante na visão de Dottore, já que foi estudando ele que o pesquisador conseguiu criar segmentos de si mesmo em diferentes faixas etárias, sendo possível para ele ter as perspectivas de diferentes estágios da vida de si mesmo. Ainda dentro dos Fatui, nenhum dos outros Mensageiros tem histórias boas envolvidas com Dottore: Sandrone o despreza por ter gerado problemas para ela em um experimento que ambos estavam colaborando, Columbina foi o mais próximo que Dottore considerou como família, mas seu método de pesquisa e a forma como demonstrava afeto acabou afastando ambos pelo desconforto gerado em sua colega de trabalho. Sobre sua relação com os demais, somente em pequenos trailers e em alguns momentos na história de Arconte, que foram apresentadas demostrações de relutância, estranhamento ou desprezo por parte de Arlecchino, Tartáglia e Capitano quando o doutor era o assunto.
Durante toda a vida de Zandik, seus objetivos giravam em torno da vida eterna. De todas as versões dele mesmo que existiam, esse nome (Zandik) foi reservado ao original, que independente dos esforços colocados em seus estudos, continuava a envelhecer. Ao chegar aos 85 anos, em uma crise, seu corpo colapsou e, mesmo pedindo socorro aos seus fragmentos, nenhum deles o ajudou. Todos eram muito egoístas e orgulhosos para isso, além de uma ideia perturbadora de que não haveria algo mais “extraordinário” do que fazer uma autópsia/dissecação em si mesmo.

Ao chegar na história principal de Sumeru, Dottore faz um acordo com Nahida e acaba destruindo suas outras versões, restando somente a versão ômega (design mais recente do personagem) demonstrando como mesmo tendo muito apreço por seus fragmentos, não pensaria duas vezes em descartá-los em busca de mais conhecimento.
Seus atos em Nod-Krai se finalizam no Ato VII, onde Dottore supostamente deveria morrer, mas uma reviravolta acontece: Dottore havia salvo seus dados no Banco do Norte, onde Pantalone é o responsável e havia negociado com o Arauto que usasse esses dados na Irminsul (árvore primordial que é o repositório de informações coletadas de todo o mundo) em Sumeru para que, de certa forma, voltasse a vida - o que incrivelmente deu certo e fez com que a Irminsul ressurgisse de forma física. Nesse último ato, Nahida utiliza um derradeiro recurso, sendo ele a Gnose Pryo que foi entregue pela própria Mavuika (Arconte Pyro) para queimar toda a árvore que havia sido irreversivelmente corrompida. O que leva Dottore protagonizar uma cena muito simbólica ao ser impedido de fugir pelos seus próprios fragmentos, que anteriormente não se importou de destruir. Em uma cena final conversando com Pantalone, o doutor descreve que sabia que isso poderia acontecer mas acima de tudo e observando a Irminsul pegar fogo na sua frente, considerou que isso foi um funeral digno, um funeral que Zandik nunca teria.

Um personagem com atitudes desprezíveis, extremamente inteligente e que beira a insanidade ou a vive intensamente. Como pessoa, Dottore certamente nunca jamais deveria ser apreciado, mas justamente por ser um vilão, carrega muito simbolismos e história para Genshin Impact. Fico triste que a história de um personagem tão denso tenha acabado, mas ele conseguiu justamente o que queria: impressionou a todos e marcou os jogadores por toda sua trajetória.
Espero que o jogo consiga criar algum outro personagem que possa ter tanto simbolismo e características como Dottore, e ainda tenho muitas esperanças em como vão desenvolver toda a história de Dainsleif, Tsaritsa, Khaenri'ah além de todos envolvidos com os princípios celestiais e própria Celestia. Se os responsáveis pelo roteiro seguirem uma estrutura narrativa e criação de personagem tal qual a criada com Dottore, confio que personagens mais emblemáticos podem aparecer e nos impactar como Zandik o fez.
Esse texto foi escrito por Mariana Vilela e editado por Iara Vilela





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