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Crimson Desert e jogos que precisam de muito, muito tempo

  • Foto do escritor: Luco Borgs
    Luco Borgs
  • 20 de jun.
  • 7 min de leitura

Alô alô! Eu sou o Luco, e esse é meu primeiro texto sobre jogos (tirando minhas poucas análises na steam). Hoje vamos nos aventurar um pouco no universo de Crimson Desert. Haverão pequenos spoilers da história, mas não os considero importantes, já que o próprio jogo não dá importância (na narrativa) pros elementos que serão discutidos. E para esclarecer, a respeito de atualizações e algumas possíveis correções de problemas mencionados aqui, gostaria de dizer que esse texto foi escrito em Abril, portanto, as críticas e comentários de atualizações feitas aqui serão dessa época, considerando as primeiras 70 horas jogadas por mim.


Crimson Desert é uma difícil recomendação. Num mundo em que tempo é dinheiro, onde entra o tempo da diversão? Muita gente tira uma, talvez duas horas por dia pra jogar depois de um dia de trabalho, e isso se sobrar tempo depois de preparar algo pra comer, tomar banho, e organizar as coisas pro dia seguinte. Quem tem a sorte de um horário flexível de trabalho pode ter mais tempo para jogar, mas e as outras responsabilidades? Projetos paralelos, vida social, estudos? Jogos têm sido cada vez menos uma opção numa sociedade em que você se enche de responsabilidades para render o máximo possível para o “sistema”.


Calma, esse texto não é sobre o mundo ou sobre a situação em que vivemos. Esse texto é um alerta pro tempo que você vai gastar (ou não) jogando CD (Crimson Desert). Mas vamos começar do começo!


Acampamento onde o jogo se inicia. Personagem posicionado de costas no canto direito, com um escudo redondo em suas costas. Ao seu lado, 5 espadas fincadas em algo não indentificado. Ao fundo, árvores e um céu escuro compoem a paisagem.
Acampamento onde se inicia o jogo | Imagem: Crimson Desert

O CD prometia, aos olhos de muitos, ser a volta de Jesus na Terra. O “Skyrim 3”, o messias dos videogames. (Fonte: eu mesmo). Com mil mecânicas, um mapa gigantesco com um monte de atividades e itens escondidos em cantinhos isolados, já sabíamos que seria um grande investimento de tempo.


Aqueles que gastaram centenas de horas em títulos como Skyrim, Zelda Breath of the Wild/Tears of the Kingdom e Red Dead Redemption, sentiam esse mesmo cheirinho de aventura e exploração, mas era difícil manter a esperança enquanto se ouviam os gritos ensurdecedores da internet prometendo que esse seria o próximo Cyberpunk 2077, com seu triste desastre no lançamento.


Eu tentei apenas ignorar e aguardar o lançamento e os últimos dias foram uma bomba de ansiedade até que… Lançou. Eu não tenho uma máquina super potente, mas o jogo roda no médio, e o desempenho se mantém estável praticamente o tempo inteiro no meu computador. Com isso em mente, eu só conseguia dizer uma coisa sobre esse mundo:


Ele é magnífico.


Cenário medieval, com o personagem perto do centro da imagem.
Cada esquina me pedia para usar o modo foto | Imagem: Crimson Desert

Meus primeiros minutos foram gastos caminhando pelo cenário, absorvendo aquela visão de mundo, vendo a sutileza da animação de uma simples caminhada. Poucos jogos me deixam confortável com a velocidade em que um personagem anda, mas esse me dava gosto de girar a câmera ao meu redor e perceber que tudo que eu via era possível de interagir, escalar, derrubar. Parecia magia ter aquilo rodando no meu computador.


O início pacífico (onde você conversa com amigos do seu bando e aprende como funcionam os botões de interação) rapidamente desaparece após uma invasão, onde se tem um rápido tutorial de combate, e… Puff. Magia, abismo, ilhas no céu e ressurreição. Tudo jogado na sua cara em minutos sem dar tempo para você (ou o protagonista) reagir.


Kliff, que controlamos no começo do jogo, reage à tudo isso acontecendo simplesmente andando pra frente, subindo num cavalo e conversando com um NPC durante uma curta viagem. A sensação que fica é que tentaram fazer um personagem “silencioso” para o jogador se inserir na história. Ainda que ele tenha voz em diversos momentos, infelizmente não é o suficiente para que crie uma personalidade. É como se jogássemos com uma parede de força que se torna uma figura de liderança e tem poderes mágicos que ele mesmo nunca se importou em entender.


Personagem com roupas escuras montado em um cavalo preto. Está de noite e o cenário é composto por montanhas rochosas e uma montanha maior ao fundo coberta de neve.
Quieto como a noite, e infelizmente isso não é um elogio | Imagem: Crimson Desert

A história é jogada entre membros do seu bando que você precisa recuperar, além de outros conflitos dessa terra em que você se envolve para progredir a história. Infelizmente não é nada muito marcante (estou no capítulo 8, com cerca de 70 horas de jogo) e até onde joguei não teve nada que me deixasse intrigado ou emocionado. No máximo uma curiosidade sobre o mundo e seus funcionamentos, mas sempre que via a reação do Kliff (ou, no caso, a falta dela) eu perdia o pouco interesse pela história novamente.


Mas chega de chutar cachorro morto, né? Inclusive, não chute cachorro nenhum! Acho que é hora de falar as coisas boas desse jogo. Sabia que você pode ter gatinhos e doguinhos?! Olha o Taboquinho:


Cachorro preto de pelo curto em uma escada. Ele carrega uma bolsa com acesssórios e flechas.
Você não pode renomear os animais, mas renomeei no meu coração | Imagem: Crimson Desert

Roupinhas, armaduras, e companheirismo. Os animais têm a função de juntar itens dropados pelos inimigos que você enfrenta e você pode ver todos que “adotou” no seu acampamento ao voltar para visitar, o que permite que você tenha um exército de gatos gordos e cachorros de armadura pra fazer carinho e sorrir toda vez que voltar pra casa. Ah, e os pets também conseguem melhorar em 300% toda foto que você tirar do ambiente. É muito importante ter isso em mente.


Personagem vestido andando por um pequeno rio, acompanhado de um gatinho branco nadando.
Eles podem nadar!!! | Imagem: Crimson Desert

Explorar as ilhas do céu é uma delícia. Horas e horas resolvendo puzzles, encontrando rotas alternativas e possivelmente chegando em lugares que eu não deveria chegar tão cedo. É muito interessante ver as alternativas que os devs colocaram para rotas alternativas desde o começo do jogo, e observar o mundo do alto é uma recompensa de tirar o fôlego. Eu me perdia buscando segredos ou itens secretos nesses mapas, e mesmo quando não achava nada, a beleza do mundo já me servia como recompensa o suficiente.


A vibe das ilhas do céu é bem parecida com as que temos em Tears of the Kingdom. Pequenos arquipélagos com itens, inimigos e puzzles (foco maior em puzzles no caso de Crimson Desert) que nos maravilham com as formas de navegar entre elas, e que permitem uma forma de atravessar o mundo mais rápido, já que você pode se jogar lá do alto e usar a distância até o chão para alcançar partes mais distantes do mapa. Além de localizar torres, cidades e pontos de interesse (que não são poucos) quando está de dia.


Cenário escuro com estátuas de pedra. Em alguns pilares, um feiche de luz atravessa de um lado para o outro, conectando a luz.
As estrelas e luzes são o charme dessas ilhas do céu. | Imagem: Crimson Desert

O combate também é interessante, com várias formas de se lutar, mas não é algo que eu consideraria “inovador”. O sistema de aprender novos ataques usando os cubos (que contam como a “experiência” do jogo) funciona bem, mas você observar NPC’s treinando, brincando, ou inimigos e chefes fazendo certas ações e aprendendo sem gastar os cubos é ainda mais legal! Isso sim eu achei mega divertido e serve de incentivo para ficar atento em cidades ao ver alguém fazendo algo “diferente”. O jogo exemplifica bem essa função de observar as coisas logo no começo, mas é fácil esquecer isso logo em seguida pelo tanto de coisas que se tem em CD.


Personagem observando de bem alto cidades iluminadas por tochas.
De manhã se observa o mundo, de noite se observam as cidades. | Imagem: Crimson Desert

O mapa desse jogo é estrondoso de grande. É grande e interessante em igual escala. Não é um exagero dizer que você pode levar 3 horas pra fazer uma quest de limpar uma chaminé, porque entre a pessoa que te dá a quest e a chaminé, já que você pode encontrar outras 300 coisas que te desviam do caminho. E caso não acreditem em mim, deixo como exemplo um dos vários desafios do jogo (que dão o cubo de “experiência” como recompensa): atravessar a cavalo (não pode desmontar dele) o mapa de uma ponta a outra em 40 minutos. Sim, 40. E isso é um desafio.


Nessas 70 horas, eu já botei o pé em outras regiões do mapa, mas EXPLORAR mesmo, eu ainda estou explorando a primeira região. E isso era um tempo comum desde antes do jogo sair, segundo comentários de pessoas que receberam antecipadamente para fazer análises. Ele é, de fato, grande.


E esse tamanho não é um mapa vazio que você gasta horas de cavalo pra liberar o próximo teleporte e nunca mais faz aquele caminho a pé. Pelo contrário! Diversas vezes eu gostava de refazer rotas porque sabia que no caminho tinha alguma quest finalizada que bastava entregar um item, ou sabia que tinha um desafio que agora eu conseguiria finalizar, ou tinha alguma base que poderia tomar ao enviar tropas minhas para diminuir o número de inimigos. Sempre há um puzzle escondido ou um item esperando ser encontrado pelo brilho da sua espada em alguma estrada que você já passou vez ou outra e só não viu direito, provavelmente por estar distraído com alguma coisinha brilhante do outro lado da rua.


Personagem no canto inferior direito da imagem, posicionado em um lugar bem alto. É possível ver uma cidade abaixo, cercada por montanhas.
Tá vendo cada pixel do mundo? Você pode ir lá! | Imagem: Crimson Desert

Eu ainda tenho muitos comentários sobre esse jogo, mas acho que para um texto introdutório sobre ele já falei bastante. Não cheguei a falar sobre os outros personagens jogáveis (que você troca estilo GTA V) ou sobre o esquema de base e envio de tropas em missões (de combate, construção, plantação e outros tipos) que lembra o estilo de gerenciamento de base de Metal Gear Solid V, então talvez eu volte com mais comentários após experimentar as novas atualizações e ver mais do que o jogo tem guardado pra mim. Conversando com amigos que jogaram, descobri que tem chefes e montarias que vão me deixar com o queixo no chão, então podem ter certeza que tem muito mais coisas positivas que eu nem cheguei a ver.


Dito isso, repito o que disse no começo do texto: Crimson Desert é uma difícil recomendação. É necessário gastar muito tempo no jogo, e talvez você não esteja numa época em que haja disposição para isso, ou talvez você só prefira coisas mais curtas e com uma história elaborada. Mas caso você queira se perder num mundo onde não faltam objetivos e pequenas surpresas a cada esquina, acho que você vai adorar se aventurar em Pywel.


Uma mariafumaça em um trilho. Ao fundo, vemos árvores e uma montanha, que parece ter uma cidade ao fundo.
O trem do hype estava a todo vapor, e não me arrependi! | Imagem: Crimson Desert

Esse texto foi escrito por Luco Borgs e editado por Iara Vilela


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