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O Retorno do Obra Dinn e como os jogos precisam de tempo 

  • Foto do escritor: Iara Vilela
    Iara Vilela
  • há 6 minutos
  • 4 min de leitura

Hoje em dia, é comum presenciar uma maior quantidade de jogos curtos ou de partidas rápidas. As redes sociais são lotadas de comentários como “não tenho tempo pra isso” ou “os jogos precisam diminuir sua duração”. Também não é incomum jogadores pedirem recursos para que seja possível pular diálogos ou resumos de história.


Como pessoa, eu entendo o ponto de vista, principalmente quando o jogador é trabalhador. Pessoas que têm apenas um dia para se divertir e precisam abdicar do seu tempo de descanso para conseguir sobreviver e ter qualidade de vida. Para esse grupo, é interessante pensar em jogos menores e de boa qualidade para jogar. Porém, se você tem tempo para se dedicar a um hobby, não existe nada melhor do que jogar com calma e se divertir no processo. 


Nos últimos anos, a rotina de trabalho e estudos não tinha abertura para aproveitar os jogos, sempre colocando a minha prioridade em outras atividades. Ter tempo hábil para jogar se tornou um momento de luxo, onde eu tirava o meu tempo de sono para jogar por 2h durante a semana.


Reconheço que esse comportamento é/era péssimo para a minha rotina de sono, mas era essencial para minha saúde mental, e realmente me ajudou a finalizar alguns poucos jogos que tinha à disposição.


Passei alguns dias olhando para a primeira página do livro | Imagem: Return of the Obra Dinn
Passei alguns dias olhando para a primeira página do livro | Imagem: Return of the Obra Dinn

Com um novo ano e uma nova realidade, atualmente tenho mais opções e tempo para jogar, o que me fez viver grandes aventuras explorando a biblioteca da família Steam. Entre os jogos que estavam juntando teia, estava O Retorno de Obra Dinn. 


Quando o jogo foi lançado, me lembro de acompanhar alguns gameplays na internet – quer era a forma que eu conseguia consumir jogos a uns anos atrás – e me recordava vagamente da história. Eu me lembrava de alguns elementos, como o recurso de voltar nas memórias e precisava descobrir os detalhes da tripulação. Porém, como esses gameplays  tem quase 8 anos de água correndo por debaixo da ponte, eu confesso que havia esquecido todos os destinos, nomes de personagens e desastres, o que me fez ter uma experiência crua do jogo quando consegui jogá-lo.


Falando diretamente da experiência, só iniciar o jogo já te insere em uma imersão diferente do habitual. Os gráficos apresentam uma estética única, o que já reflete a experiência que você terá. O som também merece destaque, desde o menu até a gameplay, já que os estalos da madeira e o sons das ondas batendo no casco do navio te fazem sentir à deriva.


A história de Obra Dinn começa com o jogador encarnando um inspetor de seguros que precisa fazer uma investigação sobre o que aconteceu no navio Obra Dinn, pois a empresa precisa definir o que está assegurado ou não, e o que deve ser repassado ou cobrado de cada família envolvida. Os mistérios pairam nos problemas que levaram a um massacre no Obra Dinn, com grande parte de sua tripulação morta em alto-mar por razões misteriosas. Sua função é acabar com esse mistério, definindo o que aconteceu em cada trecho/capítulo dessa história. O Cirurgião Henry Evans, que esteve à bordo do navio e milagrosamente segue vivo, te orienta com algumas informações sobre seu paradeiro e sua vida, falando que você conseguirá desvendar todos os acontecimentos investigando as memórias.



A mecânica de visitar as memórias é muito legal | Imagem: Return of the Obra Dinn
A mecânica de visitar as memórias é muito legal | Imagem: Return of the Obra Dinn

Com isso, se inicia a aventura. Os primeiros corpos que você encontra são os mais tranquilos de se entender e resolver a história, servindo como um tutorial da sequência de acontecimentos. Para saber se seu palpite de nome, causa da morte ou quem ou o que matou alguém pode ser confirmado ao acertar 3 destinos, ou seja, precisa acertar 3 casos para que seja revelado como certo ou errado.


No início o que parece fácil se torna, aos poucos, algo difícil de ser identificado, e o chute, mesmo que podendo ser um aliado, muitas vezes se prova inútil para a descoberta dos destinos.


É um jogo que apresenta um grau maior de dificuldade com o passar do tempo, mas nada impossível. Alguns momentos marcantes para mim foram, por exemplo, descobrir sobre alguns auxiliares por sua proximidade com seus superiores, descobrir o nome do passageiro por seu número na rede e descobrir a morte de uma pessoa acessando memórias de outras mortes (esse último caso, a pessoa leva uma facada memórias antes de seu falecimento, e é possível ver isso acessando memórias anteriores). É um jogo desafiador que te coloca pra pensar e precisa de que você tire realmente um tempo para jogar.

Alguns casos são mais fáceis, outros MUITO difíceis... mas não impossíveis | Imagem: Return of the Obra Dinn
Alguns casos são mais fáceis, outros MUITO difíceis... mas não impossíveis | Imagem: Return of the Obra Dinn


Sobre o tempo, apesar de ser um jogo curto e relativamente rápido de se terminar, ele ainda é um jogo que precisa de uma dedicação relativamente exclusiva, o que me fez dividir minha jogatina em alguns dias e prejudicou bastante minha linha de raciocínio. Senti que me fez demorar mais para finalizar. Porém, mesmo com algumas dificuldades no caminho, jogar o Obra Dinn me trouxe uma sensação de conquista, frustrações, momentos de muito uso do raciocínio e muitos momentos de chute que só me fizeram perder tempo.


A música, ambientação e história não linear completa me fizeram parar por algumas horas depois de terminar o jogo e pensar em “nossa, como pode! Realmente isso aconteceu em consequência disso”. Um jogo de investigação feito com cuidado, carinho e muita atenção aos detalhes, que tornaram a exploração em algo imersivo, único, divertido, intrigante e, principalmente, desafiador na medida certa.


Vivenciar esse jogo após 8 anos, foi interessante e revelador. Não me lembrava das realizações que tive, muito menos em como era complexa a história. Para quem não conhece o game, vale a pena tirar um momento para conhecer e explorar o navio de Obra Dinn.



 

Esse texto foi escrito por Iara Vilela e editado por Max Fernandes


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