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Festival Jogatório 2026 — Entrevistamos Anglerman, o artista visual de Bathory – Heritage of Blood!

Foto do escritor: Max Fernandes
Max Fernandes
9 de set.
4 min de leitura

Como todos sabem, eu, Max, sou viciado em cultura pop gótica como um todo. Cresci com os filmes de Tim Burton, li mais autores britânicos na minha vida do que me orgulho, e minha primeira tatuagem foi de Bloodborne.


Claramente, dentro dessa dinâmica, me vi hipnotizado pelo estande de Bathory: Heritage of Blood no Festival Jogatório 2026. Desenvolvido pelo estúdio Moonana, o jogo é um “soulsvania” (uma mistura de plataforma metroidvania com souls-like) em que você controla Ursula Bathory, uma princesa vampírica que acorda de séculos de sono em busca de seu trono novamente.


No Jogatório, Bathory estava sendo exposto pelo seu pixel artist, o Anglerman, e sua namorada, Karolina, em um maneiríssimo cosplay de Ursula – em sua forma humana, claro. Vem conferir como foi o papo com Angler!



Essa deve ter doído… | Imagem: Bathory – Heritage of Blood
Essa deve ter doído… | Imagem: Bathory – Heritage of Blood

E aí, Angler, tudo certo? O que você está achando do Festival Jogatório 2026?


Tudo bem, tô aqui vivendo, sobrevivendo, respirando, e tá sendo muito divertido, meu deus do céu. Tá sendo muito bom esse evento.


Quanto tempo de desenvolvimento você levou na versão do jogo exposta?


Agora a gente tem mais ou menos uns 10 meses, vai fazer 12 lá pra outubro. A gente começou já tem um tempo, mas acho que tomou forma mesmo, deve ter sido em maio desse ano que a gente tinha algo plausível. E desde então a gente começou a fazer conteúdo além do prólogo, e estamos refinando as coisas básicas desde então para o evento. Nesse momento eu acho que vai ter muita coisa que eu vou melhorar no jogo, porque a quantidade de feedback que veio foi gigantesca.


Ver as pessoas jogando muda tudo (está sendo) muito importante, porque a gente tem umas ideias em casa jogando, sabendo o que tem que ser feito e tal, que na prática a teoria é outra. Ajuda bastante ver onde as pessoas têm dificuldade, onde as pessoas estão passando sem problema, o que elas reclamam, qual tutorial tá faltando, qual tutorial tá demais. E é revelador, de verdade.


Nesse tempo de desenvolvimento é só você?


Não, tem também o Electrobear, que é o nosso músico, ele também faz a programação; tem a Nana, que é a diretora e a escritora também, ela faz a interface e faz alguns elementos do cenário. Ela julga o que a gente faz o tempo todo e faz a gente ficar na linha enquanto a gente tá lá fazendo besteira; eu tô fazendo gráficos, toda pixel art praticamente, level design, game design e outra parte da programação, testando constantemente também; tem também o nosso artista, o Helonim, que é da Argentina. Ele recebe o texto da Nana pra fazer os personagens e envia os personagens pra gente, eu converto isso em pixel art depois; e em alguns pontos tem a Psamatas, que é uma cantora italiana que tá fazendo a narração, entre os capítulos vai ter uma voz dela falando sobre o que tá acontecendo no mundo e tal.


Em italiano?


Não, em inglês mesmo.


O design esguio e retorcido da Bathory a torna única | Imagem: Bathory – Heritage of Blood
O design esguio e retorcido da Bathory a torna única | Imagem: Bathory – Heritage of Blood

As referências do seu jogo são muito claras: você bate o olho e você já pensa imediatamente em Castlevania. Eu brinquei até com você quando eu estava testando que ele parece muito com o Bloodborne nos menus especificamente. Seu estilo de arte também, que pelo menos nas imagens promocionais, são muito Yoshitaka Amano. Além dessas referências, o que mais tem em específico de Bathory pra gente destrinchar que veio de algum lugar?


Olha, muitas coisas sobre mídias de vampiros, não necessariamente de jogos. A gente pegou bastante (elementos) de livros antigos e filmes velhos de vampiros, especialmente Nosferatu e Entrevista com o Vampiro. A gente pegou de Vampire Knight, Vampire Hunter D também.


Algumas pessoas comentam muito de Claymore, que é a inspiração do nosso artista. Eu particularmente não conheço, mas ele com certeza deve conhecer. A nossa escritora é obcecada por literalmente tudo de vampiros: ela já leu todos os mangás de vampiro que você pode imaginar.


Eu gosto particularmente de um muito doido que se chama Reverie. E é muito estranho aquele nome, mas é um comic book mais ou menos antigo, deve ser uns 20 anos hoje. Eu sempre tentei fazer esse tipo de arte que vai mais pra uma coisa meio sketch, não tão finalizado, não tão detalhado, mas eu tô aprendendo a fazer as coisas detalhadas agora por causa do nosso artista em HD.


Quanto à pixel art mesmo, eu acho que a gente pega bastante influência dos jogos antigos do PS1, 2D ainda. Na época que eles estavam começando a fazer 3D, mas ainda tinham uns fazendo sprites. Essa época era a melhor de 2D, eles chegaram no ápice e acabou. A gente tá tentando pegar isso como referência pra seguir em algo. Aprendendo com os mestres.


Aproveitando que você falou que a diretora já viu tudo de mídia de vampiro, tenho uma pergunta muito importante pra vocês: vai ter um chefe que é o Bento Carneiro, o vampiro brasileiro?


Nossa, agora que você mencionou, a gente tem que botar. Não pode faltar mais, porque ela também é muito obcecada com a cultura brasileira de um jeito interessante. Um dos nossos outros jogos, que ainda não foi lançado, é muito sobre a cultura do Rio de Janeiro porque ela nasceu lá, a gente se conheceu lá, fizemos empresa lá. E eu acho que trazer coisas brasileiras é muito importante, porque o resto do mundo não sabe muito sobre. Eles acham que aqui é macaco e praia, né? A gente tem que também usar o nosso conhecimento do lugar onde a gente vive e espalhar pelo mundo as coisas boas daqui.



Equipe da Moonana posando com o jogo no Festival Jogatório | Imagem: Fliperifa
Equipe da Moonana posando com o jogo no Festival Jogatório | Imagem: Fliperifa

Essa entrevista foi redigida por Max Fernandes e editada por Iara Vilela


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