Brasil Game Show 2026 | Testamos a demo de Afantasia


A área Indie da BGS 2026 estava relativamente escondida com relação às outras atrações. No fundo da área indie havia um stand com um tablet rodando um trailer que me parecia um filme do David Lynch com pixels e polígonos. Quem estava lá provavelmente, assim como eu, foi imediatamente recebido pelo desenvolvedor e o distribuidor de forma absolutamente simpática, apresentando a ideia do jogo e, se você se interessar, te apontando uma cadeira para que você esperasse sentado.
Foi assim que Afantasia foi me conquistando: pelo toque de conexão e humanidade que havia logo no primeiro contato. Por conta do limite de máquinas disponíveis e a quantidade de gente querendo testar o jogo, meio que pedindo desculpas, Leonardo (o desenvolvedor) me explicou que eu teria um timer de 15 minutos para explorar a demo como eu quisesse.
Vou começar falando do óbvio: Afantasia é deslumbrante. Mas para além de deslumbrante, ele é graficamente ambicioso, ele faz algo que eu particularmente nunca vi antes na minha vida. Eu sinto que não faria jus ao jogo com a minha descrição, por isso as imagens nesse texto são tão necessárias para que o leitor tire suas próprias conclusões.
A demo começa com um diálogo interno no alto de um edifício com a vista do jogador para montanhas que imediatamente me remeteram à um certo cartão postal do Rio de Janeiro.
Afantasia exala intimidade, pois estamos adentrando o espaço de um protagonista sem memória. O jogo te libera para andar livremente pelo ambiente que parece ser estranho e familiar ao mesmo tempo para o personagem. Encontramos pessoas que são estranhas, mas o tratam com familiaridade. Falam de um passado que ele não reconhece.
A atmosfera do jogo é intrigante, inquietante e, de novo, familiar. Eu decidi que não me importaria com o timer do mundo real e me permitiria entrar naquele mundo nos meus termos, e assim o fiz…
Vasculhei a cidade, encontrei um quebra cabeça muito simpático com gatinhos, achei um portão com uma fresta pequena para passagem, algo que um cachorro provavelmente conseguiria passar. Quando encontrei um cachorro amigo que pudesse me ajudar, o jogo propôs que eu entrasse nas memórias traumáticas daquele cachorro quando o meu timer acabou. Eu sei pelo trailer que a parte que viria a seguir teria um estilo gráfico bem diferente do que eu explorei até então, mas vai ficar pra quando eu puder jogar a versão final.
No fim, conversei com o Leonardo sobre minha experiência. Foi dito que a ideia dele é que seja um jogo para ser apreciado com tempo mesmo. Aproveitar a imersão que o jogo oferece foi o maior ponto forte de Afantasia para mim. Me pareceu uma jornada íntima com a temática da conexão entre as pessoas e passagem de uma fase da vida para outra como força motriz da narrativa.
Talvez tenha muito das experiências pessoais do desenvolvedor nesse jogo, mas também acho que tem muito de todos nós como humanos nas experiências que nos tornam quem somos. Me ocorreu o fenômeno do anime dos anos 90 Neon Genesis Evangelion, onde o protagonista Shinji é claramente um reflexo de dúvidas e inseguranças do seu escritor, mas ao mesmo tempo essas dúvidas e inseguranças ressoavam com toda uma geração de pessoas, fazendo com que a obra seja o que ela é.
Essa é uma das belezas da arte, ela parece linguagem, pois consegue traduzir o sentimento do seu autor de uma forma que quem consome pode acessar sentimentos seus que até então estavam em outra língua. Ela tem o potencial de trazer vocabulário. E foi isso que senti jogando Afantasia, que estará disponível para Steam em breve com a distribuição do Studio Sasanqua.




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