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Brasil Game Show 2026 | Entrevistamos Joeveno no estande de Aviãozinho do Tráfico Pré-4

Foto do escritor: Max Fernandes
Max Fernandes
há 2 dias
4 min de leitura

A Brasil Game Show sempre é um espaço muito propício para encontrar determinadas figuras da indústria que você admira. Uma pessoa que eu gosto sempre de trocar uma ideia e falar sobre seus novos projetos é o Joeveno. Ano passado, ainda em épocas de Game Design Hub, pudemos entrevistá-lo e entender um pouco do fenômeno que foi Aviãozinho do Tráfico 3: Abri um Portal pro Inferno na Favela Tentando Reviver Mit Aia e Preciso Fechar.


Depois de muitas águas, um ano se passou e cá estamos nós, em terras de Aviãozinho do Tráfico Pré-4: Sobraram Demônios do Portal pro Inferno na Favela que Abri e Agora Tenho que Salvar os Mamadas do Ronaldo. E, como tal, precisávamos falar sobre tudo que Joeveno fez nesse ciclo que demos pelo sol: sua repercussão internacional, o porte do jogo para PlayStation 2 e as decisões estapafúrdias da diretoria do Flamengo. Vem conferir como foi essa conversa!


Imagem: AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4: SOBRARAM DEMONIOS DO PORTAL PRO INFERNO NA FAVELA QUE ABRI E AGORA TENHO QUE SALVAR OS MAMADAS DO RONALDO
Imagem: AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4: SOBRARAM DEMONIOS DO PORTAL PRO INFERNO NA FAVELA QUE ABRI E AGORA TENHO QUE SALVAR OS MAMADAS DO RONALDO

E aí, Joeveno, de boa? 


Boa, estou de boa demais. Esse ano está mais tranquilo para mim comparado ao ano passado que eu estou com a equipe agora, deu uma crescida. No ano passado era só eu, a Aline e o Leonardo. Agora a gente tem cinco, seis, entendeu? Tem uma galera aí, está bem mais fácil agora de trabalhar. Ano passado eu já estava rouco essa altura.


Ia falar justamente sobre isso: você desenvolveu essa "não-sequência" muito rápido. A equipe cresceu um pouco ou você continua centralizando o desenvolvimento no seu trabalho?


Dessa vez, para eu não ter um burnout, eu tive uma galera comigo. Ainda sou diretor e eu fiz a maioria das fases, mas coisa de modelo, textura, polimento do jogo, eu tive uns brothers chegando junto comigo. Por exemplo, o Cher, que fez os modelos, teve também uma galera, teve o grande Micael, que é um baita level designer que trabalhou com a gente. Tive produtor agora, mais produtores, estou com dois programadores agora, além do Ricardo, que me ajudou no primeiro. E também agora tem um doutor. Estamos com uma equipe maior, isso também ajudou porque juntou muita coisa.


Outra coisa importante é que eu estou mais experiente com a engine. Hoje eu já sei a engine do Quake como a palma da minha mão. Aí é bem mais mole de trabalhar do que era antigamente, entendeu? Então foi uma série de fatores. Que é uma equipe maior e a gente tem mais experiência. Como GTA III para GTA Vice City, basicamente.


Querendo ou não, você aumentou o trabalho e você aumentou também o reconhecimento. Da última vez que a gente conversou, você não tinha o reconhecimento internacional que você tem hoje. Saber que seu nome está lá fora afetou o seu mental ou o seu trabalho como um todo?


Eu simplesmente fiquei muito feliz porque muita gente duvidava. "Seu jogo só vai fazer sucesso no Brasil, gringo não quer saber de jogo assim". Aí o jogo hoje em dia [tem] 40% das vendas [vindas dos] Estados Unidos, entendeu? Não é só nos Estados Unidos que vende muito: ele é um jogo globalmente conhecido.


O que me deixa gratificado é que isso mostra, e não só para mim, mas para outros desenvolvedores brasileiros, que não precisa ter aquela vergonha, aquele preconceito que tem muito aqui. O jogo tem que ter cara de jogo internacional, não pode ter cara de brasileiro, porque senão não vai vender. Isso meio que provou para uma galera que tem como fazer jogo para o cara do Brasil e vai vender lá fora e às vezes acaba sendo um selling point lá fora.


Eu vejo muito que você repercute muito por causa de um "marketing de guerrilha". Por exemplo, as paradas que você fez na Gamescom, de levar o computador e tudo... Hoje você está com jogos portados na Playstation 2. Você tem bastante contato com essa galera que ainda mantém o Playstation 2 vivo, fez isso já pensando que tem um público muito ativo dentro dessa comunidade... Qual foi o pensamento que fez você desenvolver e especificamente essa build do jogo?


Isso na verdade é um full circle do conceito do jogo. O Aviãozinho do Tráfico é inspirado muito nos projetos do pessoal da Geomatrix, por exemplo: o pessoal que fez o GTA IV de Play 2, inclusive eu conheci ele hoje. O cara do Bomba Patch também está por aqui. E foi uma pessoa só basicamente, quase. Tem uma equipe, uma galera, mas ele era o cabeça da parada, entendeu? E eu queria homenagear isso.


Então, o que acontece é que realmente é um full circle, porque também tem uma comunidade muito forte de modding há duas décadas no Brasil. Eu queria homenagear isso e eu também tenho muito amigo meu que trabalha com desenvolvimento de jogos no Play 2, por exemplo, Daniel do GTA V Legacy. Antes do Aviãozinho, eu era um youtuber e fazia conteúdo sobre Playstation 2, eu sabia que tem uma cena muito forte de modding no PS2 no Brasil. Além dessa wave de 20 anos atrás estar forte até hoje, tem muita galera nova sempre entrando. É um negócio muito de uma cena brasileira, é algo muito do nosso histórico. Playstation 2, não só como console de consumo, mas de desenvolvimento, foi uma das primeiras grandes plataformas de desenvolvimento no Brasil, com projetos como o Bomba Patch, GTA IV de Play 2 e afim. Tem uma importância muito grande e eu quis colocar porque foi o full circle da minha infância também.


Eu ainda não joguei o Aviãozinho pré-4. Vocês colocaram boss fights nessa versão?


Sim, dessa vez tem várias boss fights. Tem uma boss fight com o Urubu do Flamengo, o final do jogo é uma boss fight de duas etapas, não vou explicar muito porque dá spoiler, mas eu acho que deve ter pelo menos os sete, oito bosses dessa vez. Tem muito mais chefe e eles usam da movimentação de pulo duplo e dash.


Então, é aí que chega a minha pergunta final: já que vocês estão colocando esses chefes, quando é que você vai poder enfrentar o novo técnico do Flamengo, o senhor Waldemar?


Então, você vai poder no próximo jogo enfrentar ele, xingando ele. Você vai xingar ele dar um tapa na cabeça dele. Você vai ter a sua mão com uma arma e você também vai ter a sua boca no jogo com uma arma pra xingar ele.


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